O artigo " Onde estão os Portugueses?" de Luso Ventura, publicado no Correio Popular dia 06 de abril de 1957, deu origem ao movimento que fundou a Casa de Portugal de Campinas a 28 de março de 1958.
Trechos do artigo:
"Onde estão os Portugueses?
Não é indiscreta a pergunta. Quando perguntamos onde estão os portugueses, sabemos, efetivamente, que no Brasil, estão eles em toda a parte, particularmente no coração dos brasileiros. Mas a pergunta tem outro sentido: por que não estão os portugueses de Campinas arregimentados sob uma mesma bandeira que seria, por exemplo, a de uma Casa de Portugal?
Desde a infância, sob o teto de minha família, aprendi a amar e respeitar Portugal - terra de meu pai e de meus avós. Os primeiros jornais que li falavam-me de perto à sensibilidade sobre coisas e homens da velha terra lusa... Livros de Portugal, li-os todos retirados das estantes paterna...
O tempo rolou e depois, privando da amizade de Martins Fontes, meu Mestre e meu Amigo, com ele aprendi a venerar o velho Portugal de que me falava com lágrimas nos olhos...
Portugal é uma palavra que se fala com a boca em forma de beijo, é ternura, é alma, é oração. Encanta-nos a evocação da Póvoa, terra de Eça; deslumbra-nos a lembrança das areias morenas de Nazaré, e o Estoril é sempre um ninho para os grandes de Espanha e França...
Com a alma carregada de tantas reservas doces e amoráveis no que respeita ao tronco racial de onde procedemos, é natural que pensemos em nuclear os portugueses de Campinas sob um mesmo teto de fraternidade . Não compreendemos a dispersão de uma colônia de tão profundas raízes de patriotismo- esse patriotismo que a fez levar aos quatro cantos do mundo, como obra de fé e solidariedade humana, os alicerces das casas de beneficência , lidimas invenções da nunca desmentida generosidade portuguesa. Torna-se imperativo que os lusos se reúnam, em Campinas , numa sociedade que nos dê, permanentemente, um retrato daquele Portugal que não adormece na nossa saudade, pois nela palpita, e vibra, e sonha, e até nela se eterniza pelos milagres do mais entranhado afeto." |